Julho e o Preciosíssimo Sangue


O Sangue de Cristo é o preço do nosso resgate: é por ele que o mundo é salvo; a Igreja, redimida; o demônio, vencido; e nós, restituídos à antiga liberdade dos filhos de Deus.

Trata-se de uma tradição, celebrarmos o mês de julho, a devoção ao Preciosíssimo Sangue de Cristo, derramado para a remissão de nossos pecados na Cruz. Mas habitualmente, em 1 de julho, na Festa do seu sangue salvífico, somos chamados a nos inclinar a realidade do amor de Jesus por nós e sua entrega completa e dolorosa na cruz do calvário.

Uma vez que sem o sangue do cordeiro não há salvação, seria necessário uma só gota do seu sangue, para remir toda humanidade, mas ele o quiz se entregar inteiro por amor a nós.

São Pedro ensina que fomos resgatados pelo Sangue do Cordeiro de Deus mediante “a aspersão do seu sangue” (1Pe 1, 2). “Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso Sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum, aquele que foi predestinado antes da criação do mundo.” (1Pe 1,19).

O Papa Bento XIV (1740-1748) ordenou a Missa e o ofício em honra ao Sangue de Jesus, que foi estendida à Igreja Universal por decreto do Papa Pio IX (1846-1878). São Gaspar de Búfalo propagou fortemente essa devoção, tendo a aprovação da Santa Sé. Ele foi o fundador da Congregação dos Missionários do Preciosíssimo Sangue (CPPS), em 1815. São Gaspar nasceu, em Roma, aos 6 de janeiro de 1786 2.

O Papa São João Paulo II, em sua Carta Apostólica Angelus Domini,  repetiu o que São João XXIII disse sobre o valor infinito do Sangue de Cristo, do qual “uma só gota pode salvar o mundo inteiro de qualquer culpa”.

Fazemos, assim, eco ao desejo do Papa S. João XXIII, que, na Encíclica “Inde a primis”, escrita dois anos após sua eleição ao sólio pontifício, exortava os católicos do mundo inteiro a se “volverem com ardente fervor para a expressão divina da misericórdia do Senhor” (n. 1) que é o Sangue adorável que Jesus, num ato supremo de caridade, derramou pela nossa salvação. No n. 11 do mesmo documento, o Papa nos recorda pela boca de S. João Crisóstomo que, depois de termos comungado, saímos da mesa eucarística “quais leões expirando chamas, tornados terríveis ao demônio, pensando em quem é o nosso Chefe e quanto amor teve por nós” (In Iohann., homil. 46). Os demônios, com efeito, tremem diante do amor de Cristo, amor este que se expressou de modo excelentíssimo no derramamento do seu Sangue, o qual, se recebido dignamente sob as espécies eucarísticas, tem o poder de afugentar para longe de nós toda horda infernal e chamar para junto da nossa alma, inebriada de caridade divina, “os anjos e o próprio Senhor dos anjos”. A devoção ao Sangue de Cristo, nesse sentido, tem por objeto principal a caridade infinita com que Ele, entregando-se por nós até a morte, nos resgatou de Satanás e operou, por tantos e tão variados títulos, a nossa salvação: “Porque”, escreve S. Pedro, “vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso Sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum” (1Pd 1, 17ss). Precioso, sim, porque foi o preço que Deus mesmo se dispôs a pagar, a fim de resgatar-nos da escravidão do pecado e da sujeição à morte eterna. Pelo pecado, havíamo-nos tornado mancípios de Satanás; pelo Sangue de Jesus, fomos não só alforriados, mas também agraciados novamente com a liberdade de filhos adotivos do Pai. Que, ao longo de todo o mês de julho, e não apenas neste dia 1.º, possamos venerar com mais intensa devoção o Preciosíssimo Sangue do Filho de Deus encarnado, adorá-lo como toda a nossa alma durante a elevação do Cálice na Santa Missa e, com sentimentos profundos de reparação, honrá-lo diariamente pela récita de sua ladainha. — Sangue de Cristo, torrente de misericórdia, salvai-nos! 1.




Notas

1 - O mês do Preciosíssimo Sangue, Homilia Diária, Padre Paulo Ricardo, CNP.
2 - Julho, mês do Sangue de Cristo, Canção Nova Site, CN.





















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