Heroínas da França

Santa Teresinha do Menino Jesus era francesa e Santa Joana d’Arc uma heroína querida da França. Por isso Santa Teresinha, em uma festa no convento, no dia de Santa Joana d’Arc montou uma peça de teatro e fez o papel principal e quase morreu queimada igual Joana”.


Em 27 de janeiro de 1894, Leão XIII autorizou a abertura do processo de beatificação da venerável Joana d'Arc, a pastora de Lorena que tornou-se mártir da Guerra dos Cem Anos, provocando celebrações por toda a França. Teresa se baseou na "História da França" de Henri Wallon - um livro que seu tio Isidoro havia doado ao Carmelo - para ajudá-la a escrever duas peças piedosas, "pequenas peças de teatro realizadas por umas poucas freiras para o resto da comunidade em certos dias festivos". A primeira, "A Missão de Joana d'Arc" foi encenada no Carmelo em 21 de janeiro de 1894 e a segunda, "Joana d'Arc Cumpre sua Missão", em 21 de janeiro do ano seguinte. Segundo uma de suas biógrafas, Ida Görres, trata-se de "autorretratos mal-disfarçados" 1.

"Na minha infância sonhei combater nos campos de batalha. Quando comecei a aprender a história da França, o relato dos feitos de Joana d'Arc me encantava; sentia em meu coração o desejo e a coragem de imitá-los" 2.

Santa Teresinha foi adquirindo cada vez maior consciência das profundas semelhanças entre sua vida e a da Virgem de Donrémy. Razão pela qual, em 21 de janeiro de 1894 - 101° aniversário do martírio do desditoso rei Luís XVI, ­compôs ela a peça teatral intitulada A Missão de Joana d'Arc. No ano seguinte, associando-se às festas celebradas em todo o país em honra da santa guerreira e mártir, declarada "Venerável" pelo Papa Leão XIII, compôs Joana d'Arc cumpre sua Missão, representada para toda sua Comunidade religiosa. Ali Teresa encarnava o papel de Joana d' Arc.

E sua peça realçava a tomada da cidade de Orleans, a sagração do rei Carlos VII, mas sobretudo a morte na fogueira, que para ela significava o ápice da realização da missão de Santa Joana d'Arc.

"Um soldado francês defensor da Igreja, admirador de Joana d'Arc". Assim a pequena Teresa assinava seu Cântico para obter a canonização da venerável Joana d'Arc.

Joana, a Virgem de Orleans, e Teresa, a Virgem de Lisieux, dois modelos do católico militante e combatente contra os inimigos da Santa Igreja e da Civilização Cristã. Duas grandes santas que embora tendo levado gêneros de vida tão diversos - a vida estritamente militar de uma, e a vida contemplativa da outra - conservam, contudo, profundas afinidades de alma entre si.

Santa Teresinha não viu Joana canonizada. E esteve longe de imaginar que o Papa Pio XI haveria de apresentá-la ao mundo católico como "uma nova Joana d'Arc” (18 de maio de 1925) e que, no decurso da 11 Guerra Mundial, a exemplo da Pucelle d'Orleans, Pio XII a declararia "patrona secundária de toda a França"! 3.




Notas

1 - Teresa de Lisieux, Wikipédia, a enciclopédia livre.
2 - Lettres de Sainte Thérese de l'Enfant-Jésus, Carta ao Abbé Belliere, Office Central de Lisieux, 1948.
3 - Uma Santa Teresinha pouco conhecida, Catolicismo Blog.

























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