O Cavaleiro e a Donzela


“Em um mundo machista, C.S Lewis, como um bom católico, nos dá uma ótima lição do homem cavaleiro”.

Na despedida entre Davi e Salomão, com o último conselho paterno demonstra claramente a relevância do papel do homem no mundo. "Esto vir" é o comando de Davi para seu filho. Davi pediu que seu filho fosse homem, como uma frase que trazia consigo uma série de prescrições 1.

Depreende-se que homens e mulheres são diferentes, por natureza, e que o homem tem um dever de elevar as potencialidades de sua masculinidade de forma que ela não seja caótica e má, abusando dos dons de Deus para os homens. Por outro lado, também é importante que o homem não rejeite sua masculinidade e a abrace com responsabilidade, sabendo que o mundo precisa dele.
Para elevar ao mais alto nível a masculinidade, para domar o espírito animal do homem e fazê-lo servo do amor no mundo que a Idade Média foi palco do conceito de cavalheirismo. Cabia ao homem conquistar o mundo na ponta da espada, derrotar as ameaças, voltar para casa e ser o humilde marido de sua esposa, pai amoroso e servo fiel de Deus.

Este cavalheirismo não é um dado de natureza, mas uma contrariedade à natureza. Por isso mesmo é tão difícil de se alcançar e viu-se falhar incontáveis vezes. É muito difícil um homem conseguir ser feroz contra os inimigos, implacável no combate e dócil ao mesmo tempo. Por muitas vezes o excesso de docilidade fez com que Chamberlains fizessem acordos com Hitlers, e o excesso de ferocidade fez com que mulheres no mundo todo sofressem.

Não salvará o mundo a derrocada da masculinidade. Isto somente tem a contribuir com sua queda total, em uma "era de escudos partidos". C.S Lewis, como bom cristão que era, sabia bem que chegaria o tempo em que os homens decairiam, que o mal avançaria e que a era do cavalheiro daria lugar à era dos homens menores, os brutos e os tíbios. Entretanto, como bem nos lembra T.S Eliot, cabe a nós ser o cadinho em que se preservam as coisas boas do mundo enquanto elas são destruídas mundo afora, para que possam ser resgatadas sempre que o mundo precisar. E hoje o mundo precisa de cavalheiros
1.

Como diria Chesterton, o feminino é o sexo mais belo.  E esse outro autor inglês, grande homem católico, nos ajuda a entender a postura do cavalheiro diante da mulher.

Disse sua secretária, posteriormente adotada como filha, Dorothy Collins:

Ele possuía um respeito místico pelas mulheres. Cheguei a vê-lo levantar-se de sua cadeira quando uma garotinha entrava na sala 2.

Esse “respeito místico pelas mulheres” era algo visível mesmo na forma que encarava sua esposa, Frances. Chegou a dizer a uma amiga, referindo-se a uma janela em um canto inusitado de sua casa:

Gosto daquela janela. Quando a luz atinge o cabelo de Frances, cria uma auréola a seu redor e faz com que ela se pareça um pouco mais com o que realmente é”.

Essa postura mediante ao feminino vivida pelo Apóstolo do Senso Comum é reveladora e nos revela a maneira que um cavalheiro cristão deve olhar para a mulher. Não se trata idealizar a mulher, algo que é fruto de um sentimentalismo romântico, mas de reconhecer que o feminino é sagrado. O cavalheiro dá lugar a uma dama para sentar-se, se oferece para carregar peso, ou fica sempre entre ela e a rua não porque a mulher é mais fraca. Ele o faz porque a mulher é mais sagrada e tudo o que é sagrado merece os melhores lugares. Merece ser preservado de tudo aquilo que é profano e vulgar 2.

Que de fato São José, exemplo de homem e de pai, protetor da Sagrada Família, possa nessa lição de Lewis trazer para os rapazes a disposição e a coragem de proteger suas namoradas, como verdadeiros cavaleiros em prol da donzela.




Notas

1 a.b - A necessidade do cavalheirismo, por C.S. Lewis, Tradutores de Direita, Facebook.
2 a.b - O necessário resgate do cavalheirismo, Homem Católico Site.










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