Santa Elisabete da Trindade
Élisabeth Catez Rolland, nasceu em um campo militar de Avor, perto de Bourges, França, no dia 18 de julho de 1880, sendo filha do militar Joseph Catez e de Marie Rolland. O seu pai era capitão do exército francês. Seu nascimento não esteve insento de dificuldades, tendo sua mãe passado por cerca de 36 horas de parto, Mas, no final da missa que o Capelão Chaboisseau celebrava nas suas intenções, a pequena Elisabeth vem ao mundo em uma bela manhã de domingo, e ao ver sua filha, Marie exclama “era muito bonita e muito esperta” e tinha muita saúde.
Seu batismo ocorreu no dia 22 de julho do mesmo ano, na Festa de Santa Maria Madalena.
Seus pais logo se mudaram no ano seguinte para Borgonha, em Auxonne e depois em 1882 para Dijon, antes do nascimento de sua irmã mais nova, Marguerite em fevereiro de 1883 1.
Quando criança, Elisabete expressou desde cedo, seu temperamento muito forte e intenso, com sua natureza colérica, ela era turbulenta, animada e faladora e passava por constantes ataques de raiva e fúria. Era tão intenso isso que sua mãe a chamava de “autêntico diabinho”e sua irmã não hesita em dizer que ela era um “verdadeiro diabo”. Seus superiores diziam que ou ela seria um grande anjo ou seria um grande demônio. Um dia sua mãe, que era uma mãe extremamente católica, querendo implantar na menina a docilidade e humildade no seu coração, sua mãe, à noite, se despedia dela sem lhe dar um beijo, e isso era visto como um castigo que doía muito em Elisabete, que percebia seu erro e que precisava mudar.
Após a morte de sua avó, em 8 de maio de 1882, seu avô Raymond veio morar com seus filhos e morreu lá em 24 de janeiro de 1887. Durante o verão, um religioso visita sua casa em Dijon e Elisabete manifesta pela primeira vez sua vocação precoce a religosa e diz em segredo no ouvido do religioso que ela seria uma religiosa. Alguns meses depois, na manhã de domingo de 2 de outubro de 1887, seu pai morreu repentinamente nos braços de Elisabeth, sendo resultado de várias crises cardíacas que ele sofria. A morte repentina de seu pai, fez que ela passasse por uma seriedade ainda com sete anos de idade, no luto e na falta que ela sentia dele. Depois de sua morte, ela e sua irmã são educadas pela sua mãe Marie e elas se mudam para uma casa a poucos passos do Carmelo de Dijon.
Em sua primeira confissão, marca profundamente Elisabete, que considerava esse dia, como sua conversão para as coisas divinas, era como se ela tivesse se despertado para a vida espiritual, e logo depois de uma visita do Cônego Angles, ela revela a ele sue desejo religioso aos 8 anos.
Elisabete continuou seus estudos, mas tinha uma certa dificuldade em ortografia, o que fez com que sua mãe a mandasse para ter aulas particulares. Ela mesmo assim marcada por seu temperamento inicia no conservatório de música, onde se revela uma criança talentosa e que encantava a todos que a viam tocar piano e cantar suas músicas que redecoravam sua vida. Marcada pelos caprichos de sua mãe, Elisabete se torna uma menina vaidosa que gostava dos bailes e adorava usar luvas e jóias para se embelezar.
Em 19 de abril de 1891, com apenas 10 anos ela então fez sua primeira comunhão, um grande dia para ela, que escreve em um de seus poemas:
“O Mestre tomou posse de meu coração tão bem que, desde então, eu só aspiro dar a vida”.Na Missa e nas ações de graças, lágrimas de alegria e amor correm pelo seu rosto por ter recebido Jesus na Eucaristia e ao sair da Igreja de São Miguel, ela diz a sua amiga próxima, Maria Luísa: “Eu não tenho fome, Jesus me alimentou…”. Elisabete neste dia se sentiu verdadeiramente preenchida pelo próprio Deus que habitava nela, ela se sentia especial e esse acontecimento marcou fortemente o inicio de sua vida espiritual.
Na noite de sua primeira comunhão, Madre Maria de Jesus, a superiora do Carmelo, dá a Isabel um quadro com a explicação de seu nome , ou seja, “Casa de Deus” e isso marcaria o fator único de sua santidade por toda a vida. A partir de tudo isso Elisabete começa a controlar mais a sua ira e seu temperamento forte e se dedicar ao esquecimento de si mesma e a vida constante de oração. Um dia depois de ter se comunicado, ela afirma ter ouvido a palavra “Carmelo” em sua alma.
Aos 14 anos, sentindo-se irresistivelmente atraída e chamada por Jesus, decidi fazer seus votos perpétuos de castidade e começar a planejar sua entrada no Carmelo,e nesse desejo passava longos momentos melancólicos na janela da sua casa a observar o Carmelo na varanda do seu quarto. No entanto, sua mãe não está convencida dessa ligação e discretamente empurra sua filha para descobrir a vida mundana da época.
E ela continua com seu amor pela música, obtendo seu primeiro prêmio do conservatório de música aos 13 anos, participando de noites e jantares sociais com muita alegria e ao mesmo tempo participando das atividades da Igreja em Dijon, como ensinar o catecismo e ao coral.
Ela costumava passar as férias nas montanhas visitando sua família ou amigos, nos Pirineus, no Jura, nos Vosges e nos Alpes suíços ou à beira-mar, o que é relativamente raro para a época e dão a ela um amor e admiração pelas montanhas.
Com seus 21 anos, ela inspirada por toda sua espiritualidade e sua devoção a Santa Teresa de Ávila, a qual ela descobria a cada dia a habitação de Deus e da Trindade em sua alma e em 26 de março de 1899, sua mãe aceita sua entrada no Carmelo e em fevereiro ela começa a fazer suas mortificações e a preparação para o noviciado. Em 2 de agosto de 1901 ela entra definitivo para seu noviciado. Um dia
Madre Germaine, uma freira carmelita, procura corrigir as falhas de Elisabeth. Enquanto Elisabeth olhava as estrelas, Madre Germaine disse a ela: “Não viemos ao Carmelo para sonhar com as estrelas, mas para viver a fé”. E finalmente em 8 de dezembro ela recebe o hábito e toma o nome de Elisabete da Trindade, mas nesse período ela começa a passar a noite escura da alma, se tornando escrupulosa e duvidando de sua vocação, ela não sentia mais gosto na oração e se sentia muito cansada, e isso só teve fim quando em 11 de janeiro de 1903, na sua profissão religiosa ela recupera sua serenidade e paz interior, sendo também muito ajudada pelo Padre Edmond Vergne.
A vida de um carmelita é uma comunhão com Deus de manhã à noite e de noite para manhã. Se Ele não encheu nossas células e claustros, como seria vazio! Mas através de tudo o vemos, porque o carregamos dentro de nós e nossa vida é um céu antecipado.
Em 21 de novembro de 1904, durante a festa da Apresentação de Maria no Templo, Elisabete da Trindade escreveu de uma só vez uma oração que se tornaria o símbolo de sua espiritualidade Ó meu Deus, Trindade a quem eu adoro. Durante seus anos como uma freira carmelita, Elisabete escreveu numerosas cartas, bem como poemas e escritos espirituais, concentrando-se particularmente no mistério da Trindade e nos elogios. Em 1905 em uma de suas visitas a uma de suas irmãs, ela descobriu a passagem de São Paulo no Louvor da Glória na Epístola aos Efésios 1.:
“Ainda nele estava fomos separados, designados com antecedência, de acordo com seu plano pré-estabelecido daquele que guia todas as coisas de acordo com sua vontade, para ser, em louvor de sua glória, aqueles que esperavam antecipadamente em Cristo”.E essa passagem a marca profundamente, chegando ela mesmo a meditar muito nela e quando ela ia assinar alguma carta, assinava “Louvor da Glória” dizendo que esse seria seu nome no céu.
No final de março de 1906, Elisabete é mandada para a enfermaria do Carmelo com os primeiros sintomas da Doença de Addison, uma insuficiência adrenal. O enfraquecimento progressivo dos últimos meses a confina num esgotamento total. Alimenta-se sempre com maior dificuldade, nos escreve a Madre Germana, que também diz que ela tinha náuseas constantes e se sentia sempre fraca.
Sobre este estado geral se inserem com Elisabete outras complicações, como ulcerações interiores, fortes dores de cabeça que a dilascerava, insônias… À medida que ela se aproxima da morte, todos estes sintomas se manifestam mais violentamente. Há também crises mais agudas,como a do dia 13 de maio quando ela mesma pensou que fosse morrer 2.
Mas com tanto sofrimento ela se sentia feliz em morrer carmelita e na ocasião escreve um trecho de São João da Cruz, que dizia: “A alma perfeita e unida a Deus em tudo encontra alegria e motivo de deleite até naquilo que entristece os outros, e sobretudo alegra-se na cruz”, a partir disso ela começa a se configurar cada vez mais ao Cristo Crucificado, se perdendo como uma pequena gota que cai no Oceano. E as irmãs rezaram muito para a cura de Elisabete, fazendo missas e terços para sua recuperação, mas ela mesma já sentia no seu íntimo que não havia mais ofícios para ela neste mundo e que seu lugar agora seria rumo ao céu, no seu encontro perfeito com a Trindade.
Enfim, na Festa de Todos os Santos, no dia 1 de novembro de 1906, ela faz sua última comunhão, sentindo que a morte era eminente, e portanto queria estar pela última vez na presença de Jesus Eucarístico 2.
“É a Virgem Maria, aquele ser tão luminoso, tão puro, com a pureza do mesmo Deus, quem me levará pela mão e me introduzirá no céu tão deslumbrante”.Pouco antes de morrer, disse as irmãs: “Tudo passa! No entardecer da vida só o amor permanece”, uma frase que ficaria permanentemente na sua história. E sua última noite foi a mais penosa e terrível que piorava com a falta de ar, mas ao amanhecer ela sossegou e acalmou, inclinando sua cabeça, abrindo os olhos e exclamando: “Vou para a luz, para o amor, para a vida” e morreu nos seus 26 anos, era a madrugada do dia 9 de novembro de 1906 3.
No segredo de santidade de Elisabete, vemos claramente seu amor pelo mistério da Trindade e o seu silêncio interior, que a permitia entrar dentro da sua própria alma e contemplar o Deus que habitava dentro dela. Sua devoção constante a Nossa Senhora, tanto vendo ela como “Porta do Céu”, como tendo grande apreço e meditação com o Mistério da Encarnação, descrevendo a Virgem Maria como seu exemplo de humildade e sofrimento.
Em 25 de novembro de 1984 foi beatificada pelo papa João Paulo II, que a apresentou como modelo à juventude e a todos os contemplativos. Foi em 2016, canonizada como santa pelo Papa Francisco, e é hoje um exemplo eficaz do Chamado universal a santidade, uma menina que tão imperfeita, intrega sua vida a Deus e se torna hoje uma grande santa, e também para nós para entendermos mais completamente a Trindade e o mistério desse Deus que vive em cada um de nós. Se ver nela, um exemplar total de Santa Teresinha, sendo as duas carmelitas francesas e contemporâneas, que souberam viver na humildade apesar de suas imperfeições.
Notas
↑ 1.a.b - Élisabeth de la Trinité, Wikipédia, L'encyclopédie libre (francês).↑ 2.- Isabel da Trindade, Wikipédia, a enciclopédia livre.
↑ 3.- www.carmelitas.pt/site/, Santa Isabel da Trindade, O.C.D.
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