O Santo do Futebol
Luis cresceu num ambiente familiar rico de fé e caridade cristã. Aos doze anos iniciou o caminho do sacerdócio, frequentando o seminário diocesano de Údine e em 1827 é ordenado sacerdote; ao seu lado estão os irmãos Carlos e João Batista, ambos sacerdotes.
O ambiente paupérrimo do Friuli de 1800, debilitado pela carestia, guerras e
epidemias, são para Luís como um apelo para assumir os cuidados dos fracos:
dedicava-se com outros sacerdotes e um grupo de jovens professoras, à acolhida e
à educação das "derelitas", as jovens mais sozinhas e abandonadas de Údine e dos arredores. Para elas
colocava à disposição os seus bens, as suas energias, o seu afeto; não
economizava nada de si e quando as necessidades eram mais constrangedoras ia pedir esmolas: ele tinha confiança na ajuda das pessoas e sobre tudo confiava no
Senhor. A sua vida, de fato, é uma expressão palpável da grande confiança na
Providência divina. Assim escreve, a respeito da obra de caridade na qual está
envolvido:
“A Providência de Deus, que dispõe os ânimos e rende os corações para favorecer as suas obras, foi a única fonte da existência deste Instituto... aquela amorosa Providência, que não deixa confundir quem nela confia”.
Não perdia ocasião para infundir esta confiança e serenidade nas meninas acolhidas e nas jovens senhoras que se dedicavam à sua educação. Estas são chamadas "mestras" porque são hábeis no trabalho de costura e de bordado, mas são também aptas para ensinar a "escrever, ler e fazer contas", como se costumava dizer. São senhoras de idade e de origem diversas, e em cada uma delas vai amadurecendo a decisão de colocar a própria vida nas mãos do Senhor e de consagrar-se a Ele, servindo-o na família das "derelitas". Na tarde do dia 1 de fevereiro de 1837, as nove senhoras, como sinal da decisão definitiva, depõem o seu "ouro" e escolhem viver na pobreza e na doação total de si. É nesta simplicidade que nasce a Congregação das Irmãs da Providência, a família religiosa fundada pelo padre Luís. Às primeiras mestras unem-se outras. Existem as ricas e as pobres, as cultas e as analfabetas, as nobres e aquelas de origem humilde: na Casa da Providência há lugar para todas e todas se tornam irmãs 1.
O fundador as encoraja ao sacrifício e as exorta aos cuidados afetuosos das meninas, que devem considerar a "pupila dos seus olhos". Disse-lhes: "Mais que qualquer outra coisa, estas filhas dos pobres têm necessidade de educar o coração e de aprender tudo o que é necessário para conduzirem honestamente a sua vida". E ainda: "O cansaço, a aplicação, a ocupação contínua e as preocupações fastidiosas para ajudá-las, socorrê-las e instruí-las, não vos desencorajem, sabendo que fazeis tudo isto a Jesus".
Entretanto, Luís vai amadurecendo a necessidade de uma consagração mais total ao Senhor. Estando ele fascinado pelo ideal de pobreza e de fraternidade universal de Francisco de Assis, mas os acontecimentos da vida e da história o conduzirão sobre os passos de São Felipe Néri, o cantor da alegria e da liberdade, o santo da oração, da humildade e da caridade. A vocação "oratoriana" de Luís se realiza em 1846 e na maturidade dos seus 42 anos, torna-se filho de São Felipe: dele aprende a mansidão e a doçura que o ajudarão a ser mais idôneo na função de fundador e pai da Congregação das Irmãs da Providência. Profundamente respeitoso e atento ao crescimento humano das irmãs e ao seu caminho de santidade, não poupava nem ajudas, nem conselhos, nem exortações. Ele considera atentamente a sua vocação, coloca-lhes a fé à prova, a fim de que se tornem fortes. Não é terno diante da vaidade, do desejo de aparecer, e sempre severo quando colhe atitudes de hipocrisia e de superficialidade. Porém, que ternura paterna sabe ter frente às fragilidades e à necessidade de compreensão, de apoio e de conforto!1.
Lentamente se delineia no Padre Luís as características fundamentais de uma vida espiritual centralizada em Jesus Cristo, amado e imitado na humildade e pobreza da sua encarnação em Belém, na simplicidade da vida laboriosa de Nazaré, na completa imolação da cruz sobre o Calvário, no silêncio da Eucaristia. Ainda pelo fato que Jesus disse: "Qualquer coisa que fizestes a um dos meus irmãos menores, o fizestes a mim" é a eles que Pe. Luís dedica a vida de cada dia, com o empenho concreto de "buscar antes de tudo o Reino de Deus e a sua justiça" seguro de que todo o restante será dado a mais, segundo a promessa evangélica.
Todas as obras por ele empreendidas durante a sua vida, refletem esta escolha
preferencial para os mais pobres, para os últimos, os abandonados. "Doze casas
- havia profetizado - abrirei antes da minha morte" e isto aconteceu. Doze casas nas quais as Irmãs da Providência se dedicam num
serviço humilde, empenhativo e alegre às jovens à mercê de si mesmas, aos
doentes pobres e transcurados, aos anciãos abandonados. Todavia, profundamente interessado no cumprimento do bem, Padre Luís não se
ocupava somente de suas obras, nas quais as irmãs colaboram com pessoas generosas
e disponíveis para dar-lhes uma ajuda. Oferece com entusiasmo o seu apoio
espiritual e econômico, também às iniciativas projetadas em Údine por outras
pessoas de boa vontade; sustenta toda atividade da Igreja e tem um olhar de
particular predileção para os jovens do seminário de Údine, especialmente os
mais pobres 1.
Tem início para o Padre Luís uma dura luta para salvar as obras a favor das "derelitas" e consegue, mas não pode fazer nada para impedir a supressão da Congregação do Oratório. A triste situação política consegue assim destruir as estruturas materiais da Congregação do Oratório de Údine, contudo não pode impedir a Padre Luís de permanecer para sempre discípulo fiel de São Felipe.
Já ancião, com a sua habitual abertura de espírito, compreende que é chegado o momento de ceder o timão e o transfere às irmãs com serenidade e esperança. Mantém, todavia, com todas um relacionamento epistolar que contribui para consolidar os laços de afeto e de caridade e, na sua solicitude paterna, jamais se cansa de recomendar a fraternidade e a confiança.
Através da sua comunhão profunda com Deus e os longos anos de experiência, Padre Luís adquiriu sabedoria e intuito espiritual não comuns que lhe permitem ler nos corações; às vezes demonstra também conhecer situações interiores secretas e fatos conhecidos somente da pessoa interessada. No fim de 1883 é constrangido a suspender toda atividade, as forças começam a diminuir e é atormentado por uma febre constantemente alta. A doença progride de modo inexorável. Recomenda às Irmãs de nada temer" porque foi Deus que fez nascer e crescer a Família religiosa e será ainda Ele que a fará progredir".
Quando sente chegar o fim, deseja saudar a todos. Portanto dirige as últimas
palavras às Irmãs: "Depois da minha morte, a vossa Congregação terá muitas tribulações, mas
depois renascerá a vida nova. Caridade! Caridade! Eis o espírito da vossa família
religiosa: salvar as almas e salvá-las com a Caridade". Na noite de quinta-feira, 03 de abril de 1884, acontece o seu encontro
definitivo com Jesus. Toda Údine e a gente das cidades vizinhas acorrem para vê-lo
pela última vez e pedir-lhe a proteção do céu. Com a sua intercessão a favor dos pequenos, dos pobres, da juventude em
dificuldade, das pessoas que sofrem, de quantos vivem situações penosas, padre
Luís continua também hoje, a indicar a todos a estrada da união com Deus, da
compaixão e do amor e está pronto para acompanhar ainda os passos daqueles que
se entregam à Providência de Deus 1.
Em seu funeral havia uma grande multidão e em 23 de abril 1952, a urna com seus restos mortais foi transferida para Udine na igreja de São Caetano, a casa da Providência de Udine casa mãe das Irmãs da Providência.
Em 22 de agosto de 2010, Scrosoppi foi nomeado padroeiro dos jogadores de futebol pelo bispo Alois Schwarz em uma missa na paróquia austríaca de Pörtschach am Wörther See em coordenação com as autoridades romanas e Andrea Bruno Mazzocato, o arcebispo de Udine. Um santo padroeiro dos jogadores de futebol não existia, pelo que a ideia de nomear Luis Scrosoppi foi iniciada pela “ Wörthersee Zukunftsinitiative”."do fã de futebol Manfred Pesek. Schwarz, o bispo de Gurk em Klagenfurt, apoiou a proposta na seção apropriada do Vaticano" Igreja e Esporte "em grande parte porque o futebol para jovens é de grande importância e significado. Luis Scrosoppi teve que ser distinguido em especial. Ele representa os valores que são desenvolvidos através do esporte, como justiça, perseverança, diligência e determinação. Outros defensores da iniciativa foram Nikolaus Knöpffler, presidente do Departamento de Ética Aplicada e diretor do Ethikzentrum.”Na Universidade Friedrich-Schiller de Jena, Walter Walzl, Florian Becker, Robert Hofferer e Stefan Gottschling, que ajudaram a tornar possível a realização desta iniciativa. O bispo de Udine, a diocese de Luis Scrosoppi, também esteve envolvido na aprovação e preparação deste projeto 2.
Para os propósitos de canonização, a Igreja Católica considera necessária ter um segundo milagre após o requerido para a beatificação, no caso de Luis Scrosoppi, considerou-se milagrosa a cura de Peter Changu Shitima, um doente terminal de AIDS, que ocorreu em 1996.Peter Changu Shitima era um estudante do Oratório de São Filipe Néri de Oudtshoorn, uma cidade perto da costa sul da África do Sul. Na primavera de 1996, ele começou a acusar distúrbios cada vez mais graves, tanto que ele foi hospitalizado, onde foi diagnosticado com AIDS no estágio terminal.
A comunidade religiosa em que ele pertencia começou preces incessantes, para obter a intercessão do então abençoado Luis Scrosoppi. Na noite entre 9 e 10 de outubro de 1996, o jovem sonhou com Luis, e de repente ele sentiu que estava curado, despertando, retomando sua atividade normal.A cura foi observada pelos médicos Johannes Le Roux e Pete du Toit, ambos não-católicos, que não conseguiram explicar o incidente. O caso, examinado na Cúria Oudtshoorn, foi submetido à Congregação para as Causas dos Santos que, em 1º de julho de 2000, promulgou na presença do Papa João Paulo II o decreto milagroso para o "rápido, completo e duradouro" cura de Peter Shungu Shitima por polineurite e caquexia em indivíduos HIV positivos 2.
Notas
↑ 2 a.b - Luis Scrosoppi, Wikipédia, a enciclopédia livre.

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