As Rosas de Santa Teresinha
“Para mim acho que a perfeição é fácil de se praticar, porque compreendi que basta pegar Jesus pelo coração”.
Santa Teresinha do Menino Jesus é um fenômeno espiritual extraordinário, que abalou a França e a história da Igreja. Mais importante que os milagres alcançados pela sua poderosa intercessão, no entanto, são os frutos de sua doutrina espiritual, que fizeram São João Paulo II proclamá-la doutora da Igreja 1.
Marie-Françoise-Thérèse Martin nasceu na cidade de Alençon, Normandia na França no dia 2 de janeiro de 1873, na chamada Rue Saint-Blaise, sendo a última filha de Marie-Azélie Guérin, uma bordadeira francesa e de um joalheiro e relojoeiro Luís Martin, que depois se tornariam santos da igreja. Desde seu nascimento foi sempre fraca e doente e de inicio seus pais acharam que ela não sobreviveria, uma vez que sua mãe teria perdidos 3 crianças no seu ventre e uma menina de cinco anos e meio, chamada Hélène.
Logo depois de seu nascimento, em janeiro de 1873, eram poucas as esperanças de que Teresa sobreviveria. A enterite, que já havia levado quatro de seus irmãos, acometeu-a também e ela teve que ser entregue aos cuidados de uma enfermeira, Rose Taillé, que era casada e tinha outros filhos e por isso não podia morar na casa dos Martin, e teve de levar Teresa para morar com ela em um bosque em Semallé. Em abril de 1874, em uma quinta-feira santa, Teresa com apenas 15 meses de vida e recuperada volta para sua casa em Alençon, onde é recebida com muito carinho de seus pais e suas irmãs. Durante toda sua infância, Teresa foi criada junto de suas irmãs em uma base de família católica, que incluía participar de missas diária, jejuns e orações que se seguiam no ano litúrgico, e também os Martin praticavam e incentivavam suas filhas na caridade, no qual eles iam visitar idosos e doentes e levavam mendigos para jantar em sua casa.
Teresa mesmo não sendo essa menina “modelo”, correspondia bem a essa educação católica e virtuosa que seus pais a ensinava, brincando de freira com suas irmãs e estudando a bíblia com seu pai Luís. Um dia, Teresa brincando no quintal de sua casa, chega com uma rosa para sua mãe Zélie, e diz a ela que queria que ela morresse para poder ir logo para o céu, espantando a todos.
Teresa era sempre descrita como uma criança feliz, muito emocional e talvez um pouco reclamona demais, sendo descrita por seu biógrafo Gaucher, como uma criança birrenta e chorona que quando não conseguia o que queria rolava pelo chão, achando que tudo estava perdido. Ela mesma, quando se tornou carmelita aos 22 anos, admitiu: "Eu estava longe de ser uma garotinha perfeita".
Em 28 de agosto de 1877, Zélie Martin morreu de câncer de mama com apenas 45 anos de idade. Seu funeral foi celebrado na basílica de Alençon, Desde 1865, Zélie já estava reclamando das suas dores no seio, sendo diagnosticada com um tumor. Teresa tinha apenas quatro anos e meio, mas a morte de sua mãe a causou um impacto tão grande que mais tarde ela afirma: "A primeira parte de sua vida acabou naquele dia". Teresa se lembrava por exemplo, do quarto onde sua mãe, já moribunda, teria recebido a Unção dos Enfermos antes de morrer, e toda essa saudade e solidão fez com que Teresa acolhesse sua irmã mais velha, Pauline como sua segunda mãe, a quem ela recorria para ser ajudada e para aprender as coisas que somente uma boa irmã e mulher poderia ensiná-la.
Três meses depois da morte de Zélie, Luís deixou Alençon, cidade onde ele passou sua juventude e se casou e mudou-se para Lisieux, no departamento de Calvados, na Normandia, onde o irmão farmacêutico de Zélie, Isidore Guérin, vivia com sua esposa e duas filhas, Jeanne e Marie.
Luís teria comprado uma casa de campo bem bonita e espaçosa, chamada de Les Buissonnets, que Teresa descreve ser um segundo período de sua vida. Ali na sua nova casa, Teresa define Pauline como sua "mama", uma atribuição que levada muito a sério pela própria Teresinha, que também se aproximou muito de sua irmã Céline, que era poucos anos mais velha que ela.
Teresa foi educada em casa até os seus oito anos e meio, e depois foi mandada para a escola em Lisieux, onde era a melhor de sua turma em todas as matérias, menos aritmética e redação, e por causa de suas notas altas e pouca idade era frequentemente atormentada pelas outras meninas que não gostavam dela, o que causava grande tristeza em Teresa, que muito sensível chorava em silêncio, além de odiar os barulhos do recreio das outras crianças e preferia ficar no jardim. De modo que ir para a escola se tornou um sacrifício para Teresa.
Quando em outubro de 1882, Teresa tinha seus nove anos, sua irmã e segunda mãe Pauline, entrou para o Carmelo de Lisieux, deixando ela devastada, mas esse choque foi para ela um trampolim para fazer ela querer de fato ser uma carmelita e entrar para o carmelo.Depois de tudo isso Teresa estava frequentemente doente, sofrendo principalmente de tremores nervosos, onde muitas vezes ela cerrava seus dentes e não podia falar. A familia preocupada resolve chamar um médico para tentar descobrir o que estava acontecendo. Em 1882, Dr. Gayral diagnosticou que Teresa "reage às suas frustrações com um ataque neurótico". E Pauline no convento preocupada com sua irmã, começa a lhe enviar cartas de consolo para ela.
E tudo muda quando, deitada na cama do quarto de sua irmã Marie, ela fita seus olhos em uma imagem de Nossa Senhora, e era 13 de maio, quando a imagem sorriu para ela, deixando ela completamente curada com o seu sorriso.
Teresa começou a sofrer de Escrupulos, uma condição psicológica compartilhada por outros santos da igreja, que indica uma certa falta de confiança no amor e na misericórdia de Deus, achando que tudo é pecado. Conta ela: "Seria necessário passar por este martírio para entendê-lo bem e, para mim, exprimir o que passei por um ano e meio seria impossível".
A Véspera do Natal de 1886, ou seja, no dia 24 de dezembro, poucos dias antes de seu aniversário, Teresa passa pelo ponto culminante de sua vida espiritual, um evento que ela chamou de "conversão completa". Naquela noite, ela superou e se libertou de todas as suas angústias desde a morte de sua mãe.
E finalmente em uma tarde de domingo de maio de 1887, Teresa conversando como seu pai no jardim de sua casa, que com seus 63 anos estava se recuperando de um pequeno derrame, ela diz que queria comemorar seu aniversário espiritual, entrando para o Carmelo antes do Natal. Ambos os dois choraram e seu pai Luís, pegou um flor com raiz e deu a ela, dizendo que Deus a havia preservado e cuidado dela até chegar aquele dia.
Durante o verão, os jornais franceses repetiam a história de Henri Pranzini, que fora condenado pelo brutal assassinato de duas mulheres e uma criança na cidade de Paris. Teresinha então com quinze anos começa a rezar fervorosamente para a conversão de Pranzini e a salvação de sua alma, até que no último dia de Agosto, Henri Pranzini beija 3 vezes o crucifixo em um ato de arrependimento e morre na guilhotina, dando a Teresinha a forte convicção de ter salvado a alma do pobre homem.
Em novembro de 1887, Luis levou Céline e Teresa numa peregrinação a Roma por conta do jubileu do papa Leão XIII. E mais precisamente no dia 20 de novembro do mesmo ano, ela se aproximou do Papa, ajoelhou-se e pediu-lhe permissão para entrar no Carmelo aos quinze anos. A resposta de Leão foi "Pois bem, minha filha, faça o que os superiores decidirem...Você vai entrar se for a vontade de Deus" e abençoou Teresa. Ela se recusou a sair pelos seus pés e a Guarda Suíça teve que carregá-la para fora do recinto onde estava havendo uma audiência geral. A viagem continua na Itália, e Teresa visita várias cidades como Pompéia, Nápoles, Assis, Pisa e Gênova, e todo esse percurso fez com que ela aprendesse mais do que um ano de estudos. E sua própria irmã Céline, fala na sua beatificação que os únicos homens de sua vida era seu pai Luís, seus tios e os padres, a quem ela tanto rezava e mostrava seu amor pelos outros jovens, que sua irmã revela que alguns deles haviam se apaixonado por Teresa, que depois confessou para ela que "Já é hora de Jesus remover-me do bafo venenoso do mundo... Eu sinto que meu coração é capturado rapidamente por ternura e, onde outros caíram, cairei também. Não somos mais fortes que os outros" 2 .
Logo depois, o bispo de Bayeux autorizou a prioresa do convento a receber Teresa e, em 9 de abril de 1888, finalmente ela se tornou uma postulante carmelita. Em 1889, seu pai Luís que a chamava de pequena rainha sofreu novamente um novo derrame e foi levado para o hospital em Caen, onde ficou 3 anos antes de morrer em 29 de julho de 1894 e, logo em seguida, em 14 de setembro do mesmo ano, Céline, que cuidava do pai, entrou para o mesmo Carmelo onde já estavam três de suas irmãs; a prima delas, Marie Guérin, entrou em 15 de agosto de 1895.
Quando entrou no convento, sua prioresa foi Marie de Gonzague, uma mulher de humor imprevisível, ciumenta e muito autoritária. É certo que desde sua infância, Teresa sonhava com o "deserto" para onde Deus um dia a guiaria e agora ela estava nele. Mas tarde quando Teresa tornou-se assistente da mestra das noviças, não deixava de repetir o quanto importante era seguir a regra para ela.
Ela escolheu como seu diretor espiritual um jesuíta, padre Pichon. No primeiro encontro dos dois, no dia 28 de maio de 1888, Teresa se entregou a uma confissão geral, revisando tudo o que considerava ser um pecado em seu passado e saiu da experiência profundamente aliviada. O padre, que também sofria de escrúpulos, compreendeu-a e reassegurou-a. Poucos meses depois, Pichon foi de viagem para o Canadá e Teresa só conseguia se aconselhar com ele por carta e, ainda assim, suas respostas eram raras.
Teresa toma seu nome religioso por Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face, dando inicio a seu noviciado. Foi somente em 8 de setembro de 1890, com dezessete anos e meio, que ela finalmente fez sua profissão de fé. Mostrava apesar de suas fraquezas o desejo que ela tinha de salvar os pecadores e levá-los para o céu.
Em 27 de janeiro de 1894, Leão XIII autorizou a abertura do processo de beatificação da venerável Joana d'Arc, a pastora de Lorena que tornou-se mártir da Guerra dos Cem Anos, provocando celebrações por toda a França. Teresa se baseou na "História da França" de Henri Wallon - um livro que seu tio Isidoro havia doado ao Carmelo - para ajudá-la a escrever duas peças piedosas, "pequenas peças de teatro realizadas por umas poucas freiras para o resto da comunidade em certos dias festivos". A primeira, "A Missão de Joana d'Arc" foi encenada no Carmelo em 21 de janeiro de 1894 e a segunda, "Joana d'Arc Cumpre sua Missão", em 21 de janeiro do ano seguinte. Segundo uma de suas biógrafas, Ida Görres, trata-se de "autorretratos mal-disfarçados".
Com a morte de seu pai Luís em 1894, a madre Agnes permiti que Teresinha grave e revele suas fotos e sua irmã Céline entra no Carmelo em setembro do mesmo ano.
Teresa entrou para o Carmelo de Lisieux com a determinação de tornar-se uma santa. Mas, no final de 1894, seis anos como carmelita fizeram ela perceber o quão pequena e insignificante ela era, no seu caminho de completa humildade e na graça de depender de Deus em tudo e para tudo. E seu caminho de humildade cresce quando, ao ler o livro de Provérbios na Bíblia, ela encontra uma passagem que a toca no seu íntimo, dizendo: "Quem for simples apresente-se!" 4. E concluiu a partir daí que Jesus a levaria nas alturas da santidade, mesmo sendo tão pequena.
Foi apenas no "Manuscrito C" de sua autobiografia que ela deu à sua descoberto o nome de "Pequeno Caminho" 5:
Até que finalmente em 1896, Teresa é atingida pela Tuberculose, uma doença que estava no auge da época e ainda não tinha cura, e ela começa a manifestar os primeiros sintomas, como uma tosse seca e que a levou a um sofrimento tremendo antes de morrer. E em 19 de agosto, comunga pela última vez, como se fosse seu último encontro com Jesus nessa terra e finalmente morre no dia 30 de setembro de 1897, aos seus 24 anos de idade. Em seu leito de morte, suas últimas palavras foram "Meu Deus, eu te amo!".
Ela foi enterrada em 4 de outubro no espaço das carmelitas no cemitério municipal de Lisieux junto com Zélie e Luis Martin, seus pais. Em 1997, no centenário do nascimento de Teresa para o Céu, quando sua devoção na Igreja já estava consolidada, o bem-aventurado João Paulo II proclamou Santa Teresinha do Menino Jesus doutora da Igreja. Na ocasião, o Papa sublinhava o aspecto extraordinário daquele evento 1.
O Papa Pio XI fez dela a "estrela de seu pontificado", beatificando-a em 1923 e canonizando-a dois anos depois 2 , 6. Teresa foi também declarada co-padroeira das missões com São Francisco Xavier em 1927 e nomeada co-padroeira da França (com Santa Joana d'Arc) em 1944 7.
Na espiritualidade de Santa Teresinha, ela nos revela o maior segredo de sua santidade, que era de fato sua extrema humildade e confiança no amor de Deus, tinha uma profunda devoção ao Menino Jesus, que o via como um Deus que se fez pequeno para nos amar e a sua Sagrada Face, onde ela mesma descreve ao escrever sua maior obra A História de uma Alma.
↑ 2 a.b.- Teresa de Lisieux, Wikipédia, a enciclopédia livre.
↑ 3.- Thérèse of Lisieux: a biography by Patricia O'Connor, 1984 ISBN 0-87973-607-0 page 22.
↑ 4.- Biblia Sagrada, Provérbios.
↑ 5.- Thérèse de l'Enfant-Jésus (1985). Histoire d'une âme. Manuscrits autobiographiques (em francês). Paris: Cerf. pp. 236, 302. ISBN 2-20402076-1.
↑ 6.- Görres, Ida Friederike (1959). The Hidden Face. A Study of St. Thérèse of Lisieux, 8th ed. New York City: Pantheon. p. 4. Consultado em 29 de maio de 2013.
Santa Teresinha do Menino Jesus é um fenômeno espiritual extraordinário, que abalou a França e a história da Igreja. Mais importante que os milagres alcançados pela sua poderosa intercessão, no entanto, são os frutos de sua doutrina espiritual, que fizeram São João Paulo II proclamá-la doutora da Igreja 1.
Marie-Françoise-Thérèse Martin nasceu na cidade de Alençon, Normandia na França no dia 2 de janeiro de 1873, na chamada Rue Saint-Blaise, sendo a última filha de Marie-Azélie Guérin, uma bordadeira francesa e de um joalheiro e relojoeiro Luís Martin, que depois se tornariam santos da igreja. Desde seu nascimento foi sempre fraca e doente e de inicio seus pais acharam que ela não sobreviveria, uma vez que sua mãe teria perdidos 3 crianças no seu ventre e uma menina de cinco anos e meio, chamada Hélène.
Logo depois de seu nascimento, em janeiro de 1873, eram poucas as esperanças de que Teresa sobreviveria. A enterite, que já havia levado quatro de seus irmãos, acometeu-a também e ela teve que ser entregue aos cuidados de uma enfermeira, Rose Taillé, que era casada e tinha outros filhos e por isso não podia morar na casa dos Martin, e teve de levar Teresa para morar com ela em um bosque em Semallé. Em abril de 1874, em uma quinta-feira santa, Teresa com apenas 15 meses de vida e recuperada volta para sua casa em Alençon, onde é recebida com muito carinho de seus pais e suas irmãs. Durante toda sua infância, Teresa foi criada junto de suas irmãs em uma base de família católica, que incluía participar de missas diária, jejuns e orações que se seguiam no ano litúrgico, e também os Martin praticavam e incentivavam suas filhas na caridade, no qual eles iam visitar idosos e doentes e levavam mendigos para jantar em sua casa.
Teresa mesmo não sendo essa menina “modelo”, correspondia bem a essa educação católica e virtuosa que seus pais a ensinava, brincando de freira com suas irmãs e estudando a bíblia com seu pai Luís. Um dia, Teresa brincando no quintal de sua casa, chega com uma rosa para sua mãe Zélie, e diz a ela que queria que ela morresse para poder ir logo para o céu, espantando a todos.
Teresa era sempre descrita como uma criança feliz, muito emocional e talvez um pouco reclamona demais, sendo descrita por seu biógrafo Gaucher, como uma criança birrenta e chorona que quando não conseguia o que queria rolava pelo chão, achando que tudo estava perdido. Ela mesma, quando se tornou carmelita aos 22 anos, admitiu: "Eu estava longe de ser uma garotinha perfeita".
Em 28 de agosto de 1877, Zélie Martin morreu de câncer de mama com apenas 45 anos de idade. Seu funeral foi celebrado na basílica de Alençon, Desde 1865, Zélie já estava reclamando das suas dores no seio, sendo diagnosticada com um tumor. Teresa tinha apenas quatro anos e meio, mas a morte de sua mãe a causou um impacto tão grande que mais tarde ela afirma: "A primeira parte de sua vida acabou naquele dia". Teresa se lembrava por exemplo, do quarto onde sua mãe, já moribunda, teria recebido a Unção dos Enfermos antes de morrer, e toda essa saudade e solidão fez com que Teresa acolhesse sua irmã mais velha, Pauline como sua segunda mãe, a quem ela recorria para ser ajudada e para aprender as coisas que somente uma boa irmã e mulher poderia ensiná-la.
Três meses depois da morte de Zélie, Luís deixou Alençon, cidade onde ele passou sua juventude e se casou e mudou-se para Lisieux, no departamento de Calvados, na Normandia, onde o irmão farmacêutico de Zélie, Isidore Guérin, vivia com sua esposa e duas filhas, Jeanne e Marie.
Luís teria comprado uma casa de campo bem bonita e espaçosa, chamada de Les Buissonnets, que Teresa descreve ser um segundo período de sua vida. Ali na sua nova casa, Teresa define Pauline como sua "mama", uma atribuição que levada muito a sério pela própria Teresinha, que também se aproximou muito de sua irmã Céline, que era poucos anos mais velha que ela.
Teresa foi educada em casa até os seus oito anos e meio, e depois foi mandada para a escola em Lisieux, onde era a melhor de sua turma em todas as matérias, menos aritmética e redação, e por causa de suas notas altas e pouca idade era frequentemente atormentada pelas outras meninas que não gostavam dela, o que causava grande tristeza em Teresa, que muito sensível chorava em silêncio, além de odiar os barulhos do recreio das outras crianças e preferia ficar no jardim. De modo que ir para a escola se tornou um sacrifício para Teresa.
Quando em outubro de 1882, Teresa tinha seus nove anos, sua irmã e segunda mãe Pauline, entrou para o Carmelo de Lisieux, deixando ela devastada, mas esse choque foi para ela um trampolim para fazer ela querer de fato ser uma carmelita e entrar para o carmelo.Depois de tudo isso Teresa estava frequentemente doente, sofrendo principalmente de tremores nervosos, onde muitas vezes ela cerrava seus dentes e não podia falar. A familia preocupada resolve chamar um médico para tentar descobrir o que estava acontecendo. Em 1882, Dr. Gayral diagnosticou que Teresa "reage às suas frustrações com um ataque neurótico". E Pauline no convento preocupada com sua irmã, começa a lhe enviar cartas de consolo para ela.
E tudo muda quando, deitada na cama do quarto de sua irmã Marie, ela fita seus olhos em uma imagem de Nossa Senhora, e era 13 de maio, quando a imagem sorriu para ela, deixando ela completamente curada com o seu sorriso.
“Nossa Senhora Abençoada veio até mim, sorriu pra mim. Como estou feliz!” 3.Em outubro de 1886, Marie, sua irmã mais velha mais próxima, também entrou para o Carmelo, aumentando ainda mais o tormento de Teresa. Agora somente Teresa e Céline estavam morando com seu pai, o que causou grande tristeza em Teresa, pondo ela em uma caracterização fraca e se tornando mais próxima de Céline.
Teresa começou a sofrer de Escrupulos, uma condição psicológica compartilhada por outros santos da igreja, que indica uma certa falta de confiança no amor e na misericórdia de Deus, achando que tudo é pecado. Conta ela: "Seria necessário passar por este martírio para entendê-lo bem e, para mim, exprimir o que passei por um ano e meio seria impossível".
A Véspera do Natal de 1886, ou seja, no dia 24 de dezembro, poucos dias antes de seu aniversário, Teresa passa pelo ponto culminante de sua vida espiritual, um evento que ela chamou de "conversão completa". Naquela noite, ela superou e se libertou de todas as suas angústias desde a morte de sua mãe.
"Deus fez um pequeno milagre para me fazer crescer num instante. Naquela abençoada noite....Jesus, que achou por bem fazer-se uma criança por amor a mim, achou também por bem tirar-me das faixas de bebê e imperfeições da infância.".Naquela noite, Luís Martin e suas filhas, Léonie, Céline e Teresa, foram a Missa da meia-noite de Natal na catedral em Lisieux. Léonie coberta de dermatites volta para casa e é ajudada por suas irmãs a voltar novamente para as Clarissas. Em casa, Teresa, "como era o costume das crianças francesas, deixou um sapatinho vazio na lareira esperando presentes, não do Papai Noel, mas do Menino Jesus, que, acreditava-se, chegaria voando trazendo presentes e bolos".
"Eu senti, numa palavra, caridade entrar no meu coração, a necessidade de esquecer-me de mim para fazer os outros felizes - desde esta abençoada noite, nunca mais fui derrotada numa batalha, mas, ao invés disso, fui de vitória e vitória e comecei a falar, a 'percorrer a carreira do herói'".Antes de seus quatorze anos, ainda no seu estado de paz interior, ela começa a ler "A Imitação de Cristo", de Tomás de Kempis, ardorosamente, como se o autor tivesse escrito cada frase para ela: "O Reino de Deus está dentro de ti...Volta-te com todo teu coração para o Senhor; e esqueçais deste mundo miserável: e tua alma encontrará repouso.", e Teresa começou a andar por todo canto com seu livro, que a ajudava muito a compreender e a imitar mais perfeitamente o Cristo vivo.
E finalmente em uma tarde de domingo de maio de 1887, Teresa conversando como seu pai no jardim de sua casa, que com seus 63 anos estava se recuperando de um pequeno derrame, ela diz que queria comemorar seu aniversário espiritual, entrando para o Carmelo antes do Natal. Ambos os dois choraram e seu pai Luís, pegou um flor com raiz e deu a ela, dizendo que Deus a havia preservado e cuidado dela até chegar aquele dia.
Durante o verão, os jornais franceses repetiam a história de Henri Pranzini, que fora condenado pelo brutal assassinato de duas mulheres e uma criança na cidade de Paris. Teresinha então com quinze anos começa a rezar fervorosamente para a conversão de Pranzini e a salvação de sua alma, até que no último dia de Agosto, Henri Pranzini beija 3 vezes o crucifixo em um ato de arrependimento e morre na guilhotina, dando a Teresinha a forte convicção de ter salvado a alma do pobre homem.
Em novembro de 1887, Luis levou Céline e Teresa numa peregrinação a Roma por conta do jubileu do papa Leão XIII. E mais precisamente no dia 20 de novembro do mesmo ano, ela se aproximou do Papa, ajoelhou-se e pediu-lhe permissão para entrar no Carmelo aos quinze anos. A resposta de Leão foi "Pois bem, minha filha, faça o que os superiores decidirem...Você vai entrar se for a vontade de Deus" e abençoou Teresa. Ela se recusou a sair pelos seus pés e a Guarda Suíça teve que carregá-la para fora do recinto onde estava havendo uma audiência geral. A viagem continua na Itália, e Teresa visita várias cidades como Pompéia, Nápoles, Assis, Pisa e Gênova, e todo esse percurso fez com que ela aprendesse mais do que um ano de estudos. E sua própria irmã Céline, fala na sua beatificação que os únicos homens de sua vida era seu pai Luís, seus tios e os padres, a quem ela tanto rezava e mostrava seu amor pelos outros jovens, que sua irmã revela que alguns deles haviam se apaixonado por Teresa, que depois confessou para ela que "Já é hora de Jesus remover-me do bafo venenoso do mundo... Eu sinto que meu coração é capturado rapidamente por ternura e, onde outros caíram, cairei também. Não somos mais fortes que os outros" 2 .
Logo depois, o bispo de Bayeux autorizou a prioresa do convento a receber Teresa e, em 9 de abril de 1888, finalmente ela se tornou uma postulante carmelita. Em 1889, seu pai Luís que a chamava de pequena rainha sofreu novamente um novo derrame e foi levado para o hospital em Caen, onde ficou 3 anos antes de morrer em 29 de julho de 1894 e, logo em seguida, em 14 de setembro do mesmo ano, Céline, que cuidava do pai, entrou para o mesmo Carmelo onde já estavam três de suas irmãs; a prima delas, Marie Guérin, entrou em 15 de agosto de 1895.
Quando entrou no convento, sua prioresa foi Marie de Gonzague, uma mulher de humor imprevisível, ciumenta e muito autoritária. É certo que desde sua infância, Teresa sonhava com o "deserto" para onde Deus um dia a guiaria e agora ela estava nele. Mas tarde quando Teresa tornou-se assistente da mestra das noviças, não deixava de repetir o quanto importante era seguir a regra para ela.
Ela escolheu como seu diretor espiritual um jesuíta, padre Pichon. No primeiro encontro dos dois, no dia 28 de maio de 1888, Teresa se entregou a uma confissão geral, revisando tudo o que considerava ser um pecado em seu passado e saiu da experiência profundamente aliviada. O padre, que também sofria de escrúpulos, compreendeu-a e reassegurou-a. Poucos meses depois, Pichon foi de viagem para o Canadá e Teresa só conseguia se aconselhar com ele por carta e, ainda assim, suas respostas eram raras.
"Padre Pichon me tratava demasiadamente como uma criança; apesar disso, ele me fez muito bem ao dizer que eu jamais havia cometido um pecado mortal" 2.Teresa enfim deixou de ser postulante em janeiro de 1889, quando ela finalmente tomou o hábito. A partir daí, ela passou a vestir o "escapulário marrom, rude e cosido à mão, touca branca e véu, cinto de couro com um rosário, meias de lã e sandálias de corda". A partir daí ela continua retratando sua pequeneza e fragilidade em suas cartas referindo-se a si própria como um "grão de areia".
Teresa toma seu nome religioso por Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face, dando inicio a seu noviciado. Foi somente em 8 de setembro de 1890, com dezessete anos e meio, que ela finalmente fez sua profissão de fé. Mostrava apesar de suas fraquezas o desejo que ela tinha de salvar os pecadores e levá-los para o céu.
“Que as criaturas sejam nada para mim e eu, nada para elas, mas que sejas Tu, Jesus, tudo! Que ninguém se preocupe comigo, que eu seja vista como alguém a ser pisoteada...seja feita Tua vontade em mim perfeitamente...Jesus permita-me salvar muitas almas; que nenhuma alma se perca hoje; que todas as almas no purgatório sejam salvas...”.Depois, os anos seguintes foi de uma maturidade de sua vocação, onde ela rezava muito tanto pelos pecadores, quanto pelos sacerdotes, e a fez compreender o caminho de humildade que ela deveria seguir para encontrar seu bom Deus. Outra imagem utilizada frequentemente por Teresa era o elevador, que acabara de ser inventado, e que servia para descrever a graça divina, uma força que nos eleva para alturas que não podemos chegar sozinhos.
Em 27 de janeiro de 1894, Leão XIII autorizou a abertura do processo de beatificação da venerável Joana d'Arc, a pastora de Lorena que tornou-se mártir da Guerra dos Cem Anos, provocando celebrações por toda a França. Teresa se baseou na "História da França" de Henri Wallon - um livro que seu tio Isidoro havia doado ao Carmelo - para ajudá-la a escrever duas peças piedosas, "pequenas peças de teatro realizadas por umas poucas freiras para o resto da comunidade em certos dias festivos". A primeira, "A Missão de Joana d'Arc" foi encenada no Carmelo em 21 de janeiro de 1894 e a segunda, "Joana d'Arc Cumpre sua Missão", em 21 de janeiro do ano seguinte. Segundo uma de suas biógrafas, Ida Görres, trata-se de "autorretratos mal-disfarçados".
Com a morte de seu pai Luís em 1894, a madre Agnes permiti que Teresinha grave e revele suas fotos e sua irmã Céline entra no Carmelo em setembro do mesmo ano.
Teresa entrou para o Carmelo de Lisieux com a determinação de tornar-se uma santa. Mas, no final de 1894, seis anos como carmelita fizeram ela perceber o quão pequena e insignificante ela era, no seu caminho de completa humildade e na graça de depender de Deus em tudo e para tudo. E seu caminho de humildade cresce quando, ao ler o livro de Provérbios na Bíblia, ela encontra uma passagem que a toca no seu íntimo, dizendo: "Quem for simples apresente-se!" 4. E concluiu a partir daí que Jesus a levaria nas alturas da santidade, mesmo sendo tão pequena.Foi apenas no "Manuscrito C" de sua autobiografia que ela deu à sua descoberto o nome de "Pequeno Caminho" 5:
“Procurarei buscar meios de chegar ao céu por um pequeno caminho - muito curto e muito reto, um pequeno caminho que é totalmente novo”.Ali Teresa tinha achado o segredo de sua santidade, o que a faria santa seria sua pequenez e sua humildade, na noção completa do amor de Deus e no chamado universal a santidade que pode ser vivido por todos. No final de uma de suas peças a Santa Joana darc, o cenário foi atingido pelo fogo, sem se apavorar Teresa a partir daí começa a ver a realidade do fogo que nos consome.
Até que finalmente em 1896, Teresa é atingida pela Tuberculose, uma doença que estava no auge da época e ainda não tinha cura, e ela começa a manifestar os primeiros sintomas, como uma tosse seca e que a levou a um sofrimento tremendo antes de morrer. E em 19 de agosto, comunga pela última vez, como se fosse seu último encontro com Jesus nessa terra e finalmente morre no dia 30 de setembro de 1897, aos seus 24 anos de idade. Em seu leito de morte, suas últimas palavras foram "Meu Deus, eu te amo!".
Ela foi enterrada em 4 de outubro no espaço das carmelitas no cemitério municipal de Lisieux junto com Zélie e Luis Martin, seus pais. Em 1997, no centenário do nascimento de Teresa para o Céu, quando sua devoção na Igreja já estava consolidada, o bem-aventurado João Paulo II proclamou Santa Teresinha do Menino Jesus doutora da Igreja. Na ocasião, o Papa sublinhava o aspecto extraordinário daquele evento 1.
O Papa Pio XI fez dela a "estrela de seu pontificado", beatificando-a em 1923 e canonizando-a dois anos depois 2 , 6. Teresa foi também declarada co-padroeira das missões com São Francisco Xavier em 1927 e nomeada co-padroeira da França (com Santa Joana d'Arc) em 1944 7.
Na espiritualidade de Santa Teresinha, ela nos revela o maior segredo de sua santidade, que era de fato sua extrema humildade e confiança no amor de Deus, tinha uma profunda devoção ao Menino Jesus, que o via como um Deus que se fez pequeno para nos amar e a sua Sagrada Face, onde ela mesma descreve ao escrever sua maior obra A História de uma Alma.
Notas
↑ 1 a.b.- A história de uma alma, Pe. Paulo Ricardo, CNP.↑ 2 a.b.- Teresa de Lisieux, Wikipédia, a enciclopédia livre.
↑ 3.- Thérèse of Lisieux: a biography by Patricia O'Connor, 1984 ISBN 0-87973-607-0 page 22.
↑ 4.- Biblia Sagrada, Provérbios.
↑ 5.- Thérèse de l'Enfant-Jésus (1985). Histoire d'une âme. Manuscrits autobiographiques (em francês). Paris: Cerf. pp. 236, 302. ISBN 2-20402076-1.
↑ 6.- Görres, Ida Friederike (1959). The Hidden Face. A Study of St. Thérèse of Lisieux, 8th ed. New York City: Pantheon. p. 4. Consultado em 29 de maio de 2013.
↑ 7.- Thérèse of Lisieux: God's gentle warrior by Thomas R. Nevin, 2006 ISBN 0-19-530721-6 p. 26.
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